Em meados da última semana, decidi que não assistiria ao GP da Grã-Bretanha como sempre faço em todo fim de semana que a Fórmula 1 corre. Além de cansado do produto oferecido pelo grupo Globo, principalmente aos domingos, eu estava curioso com algo que ainda não havia experimentado.
O objetivo, então, tornou-se ouvir a corrida. Mais do que ser impressionado pela parte visual, estava curioso para saber se um GP poderia causar emoções boas só com palavras. Assim, busquei a transmissão da BandNews FM para tal.
Pouco depois de 9h30 da manhã de domingo, eu já estava com meu celular sintonizado na rádio, ouvindo a pré-corrida e as informações sobre o carro de Nico Hulkenberg. Às 10h10, horário da largada, atenção redobrada aos detalhes narrados para não perder nada e, também, para entender as diferenças da nova mídia (ao menos para mim).
Safety Car já na primeira volta, por conta de um toque entre Albon e Magnussen e, até aí, nada demais. Mais tarde, foi a vez de Daniil Kvyat chamar o carro de segurança à pista após rodar e bater forte. O rádio do russo ao seu engenheiro serviu para saciar as curiosidade sobre o estado do piloto.
Com o decorrer da prova, o que mais me chamou atenção foi a quantidade de informações dadas por aqueles que faziam a transmissão. Das inúmeras conversas por rádio entre pilotos e engenheiros às entrevistas daqueles que abandonaram a prova — tudo estava presente, sempre contando com a tradução logo em sequência. Mas a corrida estava chata.
Era só mais um fim de semana de Mercedes nos dois lugares mais altos do pódio, nada de novo. Até que Bottas teve seu pneu dianteiro esquerdo furado. Pouco depois, foi a vez de Sainz Jr. também perder seu pneu dianteiro esquerdo. Então, enquanto tentava formular um pensamento sobre o incomum fim de prova, surgiu a informação de que Lewis Hamilton se encontrava na mesma situação, com sua liderança ameaçada a menos de uma volta do fim.
O ocorrido inesperado, junto da emoção passada pelo radialista, definitivamente me tiraram do ambiente em que eu estava. A corrida era tudo que eu conseguia perceber naquele momento. Verstappen tinha pneus novos, recém trocados na volta anterior, mas estava longe. Daria tempo? Onde Lewis estava na pista? Eu não sabia bem o que estava acontecendo, mas estava vidrado, ouvindo tudo com atenção.
Pode até parecer idiota, mas a cena que me veio em mente foi aquela do filme Carros que todos usaram nas redes sociais. Tal qual Relâmpago McQueen, Lewis — em minha imaginação — arrastava seu carro pela pista, a fim de não ser ultrapassado. Na minha cabeça, a corrida terminou num photo finish de Hamilton e Max Verstappen.
É claro que, mais tarde, fui olhar as imagens da corrida para entender melhor tudo que havia ocorrido. Assim, os acidentes chocaram mais e a última volta impressionou menos. Isso não tira os méritos de Lewis em levar seu carro para a bandeirada com um pneu em falta, tampouco estraga a narração empolgante de Odinei Edson.
Ouvir uma corrida pela primeira vez me fez perceber o óbvio: existem outras formas de se acompanhar o esporte. Fugindo do convencional, é possível encontrar formas com mais qualidade técnica e mais emoção, basta querer.

