A ida de Sebastian Vettel para a Ferrari, lá em 2015, foi um grande momento da Fórmula 1 recente. Após conquistar quatro campeonatos rapidamente, entre 2010 e 2013, o alemão migrou para a Itália em busca de um novo carro competitivo, de uma equipe de fábrica. Para a Ferrari, era a chance de retornar aos dias de glória outrora vividos.
Infelizmente, tanto para Vettel quanto para a escuderia italiana, o regulamento híbrido não foi gentil com a histórica Ferrari. Os primeiros carros decentes só chegaram em 2017 e 2018, anos em que Vettel foi vice-campeão, mas o piloto alemão já estava abalado demais para conquistar algo além do alcançado.
O período enfrentado pela Ferrari era difícil. As recentes trocas na presidência da companhia, a substituição do chefe de equipe e as dificuldades com o regulamento, somados à seca de títulos para os Tifosi, gerou uma grande pressão da mídia italiana, sempre muito passional.
Então, quando teve a oportunidade, Vettel a deixou escapar, perdendo a constância de resultados esperada de um campeão. Sua colisão proposital com Hamilton em Baku em 2017, e seu erro solo na Alemanha em 2018 são pequenas amostras de como Sebastian foi afetado pela pressão italiana.

A temporada de 2019 veio para decretar que a grande parceria não teria os resultados que todos esperavam. Depois dos ilusórios testes de pré-temporada, a Ferrari que apareceu para as corridas era apática com um excelente carro para corridas em linha reta, uma realidade que não existe na Fórmula 1. Mais do que um carro ruim, a Ferrari deu a Sebastian um companheiro de equipe ao invés de um escudeiro e o alemão não reage bem à tal situação.
Superado pelo novato, inconstante nas pistas e com um currículo que não permite ser um piloto comum, Vettel chegou a um acordo com a Ferrari. Ao fim dessa temporada, que ainda nem começou, ele parte da Itália.
O FUTURO DE VETTEL
O jornalista italiano Leo Turrini, da Sky Sports Itália, já disse que McLaren e Renault demonstraram interesse no alemão. E o que vai definir o destino de Vettel é o quão dispostas a gastar estão cada uma das interessadas.
Mais do que o salário do piloto, McLaren e Renault precisam se desenvolver como equipes e construtoras para atrair um piloto tetracampeão e isso custa caro. O atual momento do mundo também não parece ajudar ambas equipes, que já tinham verbas menores que as equipes de ponta antes da crise.
Talvez um novo lar seja bom para Sebastian Vettel. Um lugar onde ele assuma um papel de liderança, não só como piloto, mas em recursos humanos. Um grande nome como o dele tem o poder de atrair gente de qualidade para os cargos técnicos e ele poderia ser o fator chave para uma dessas equipes.
Mas, no fim, a possibilidade que mais me convence é da aposentadoria do piloto. Contando seu ano de estreia na Fórmula 1, em 2007, Vettel já soma treze anos correndo na categoria. Nesse período somou 53 vitórias, tornou-se o campeão mais jovem da história da F1 e, consequentemente, o tetracampeão mais jovem da história. Construiu e consolidou uma grandiosa carreira, colocando-se como um dos melhores pilotos desse século. Com tais feitos, dizer que Vettel ainda precisa se provar pode não fazer tanto sentido e o alemão pode optar pela aposentadoria sem peso na consciência.

Outro fator que pode ter influenciado nesse sentido é o ocorrido em Spa-Francorchamps em 2019, na prova da Fórmula 2. A morte de Anthoine Hubert lembrou a todos que o automobilismo é um esporte de risco e com três filhos, tendo o mais novo nascido no ano passado, isso pode ter afetado os planos de Vettel. Afinal, por mais seguro que os carros sejam, os limites do corpo humano não evoluem da mesma forma.
O atual ano está deveras atípico e corremos o risco não ver a Fórmula 1 em pista. As transferências e a próxima temporada são motivo de muita curiosidade e a saída de Vettel da escuderia italiana foi o primeiro capítulo desse período onde todos buscam as melhores oportunidades sem saber onde, de fato, estão.
Ah, com Sainz quase confirmado pela Ferrari o que resta à McLaren caso Vettel se aposente? Ricciardo correndo de laranja-papaia?
